10 de abr. de 2014

E aqui tu fez morada. ♥

'Enquanto todos elogiavam meu sorriso, você prestou atenção nos meus olhos e em como eu ficava bonita com os cabelos presos. Eu achei a sua percepção tão inédita que comecei a prestar atenção neles. Elogiaram meu rosto, você falou que o tom da minha pele e me acariciou delicadamente. Criticaram minha falta de pudor, você reparou apenas que sou quase infantil dentro de um parque, que quando o vento levanta a minha saia, arrumo os meus cabelos e que me divirto com diálogos imaginários que faço das pessoas desconhecidas ao redor. Eu indaguei sobre a dureza de certas coisas, você disse que é porque sou espontânea, mas tão espontânea que vivo à beira de me lançar do abismo como quem pula um muro e de me perder no desconhecido de tantas sensações excêntricas que carrego comigo. Você não reclamou da minha gargalhada indiscreta, achou apenas linda. Você foi a única pessoa que não tentou me beijar na primeira oportunidade. Você quis apenas me olhar por horas, calma e profundamente. Mas cada vez que o seu braço encostava no meu, sentia arrepios incontroláveis e achava aquilo tudo quase proibido: pois naquele contexto, não seria adequado sentir tudo aquilo por você. Eu me senti tão confortável na sua presença, que não havia lugar mais aconchegante que aquele colo enorme que você me deu. Eu descansei profundamente ali: da vida, da minha intensidade, das milhares de pessoas que me povoam habitando em mim. Eu resgatei uma tranquilidade que me fez esquecer o tempo, as horas, os compromissos agendados. 
Eu sei apenas que fui muito feliz naquele nosso instante, por isso, guardo-o aqui dentro: no meu Templo Sagrado, chamado coração." (G.R.P adaptado)


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