12 de mar. de 2014

“Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim. Fora tudo o que guardei de você, me restou a grande amizade que você guardou por mim. Sua ligação depois, quando me encontra. Sua mão estendida. Sua "lamentação" pela vida como ela é. Sua gentileza disfarçada de "vergonha" por não gostar mais de mim. A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte e assim rouba um coração. Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Sempre aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo. Como o segundo do meu nariz na sua nuca quando consigo, por um segundo, te abraçar. O segundo do seu nome na tela do meu celular. O segundo da sua voz do outro lado como se fosse possível começar tudo de novo e eu boboca e você me fazendo rir e tudo o que poderia ser. Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe. Aceito suas costas indo, mas nunca vindo. O último fio de cabelo preso no pé da minha cama, seu cheiro impregnado em minha roupa. Não é que aceito. Quem gosta assim não come migalhas porque é melhor do que nada, come porque as migalhas já constituem o nó que ficou na garganta. Seus pedaços estão colados na gosma entalada de tudo o que acabou, menos nos meus suspiros. Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade e proximidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, toda suposta dor e toda a indignação se calam para ver você passar.”  

(G.R.P- Adaptado)

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